O V Acampamento Inclusivo, a ser realizado entre os dias 06 e 08 de maio de 2026, chega em um momento de grande relevância social, política e cultural para a Paraíba e para o Brasil. A quinta edição do evento acontecerá novamente na região da Baía da Traição, território pertencente ao povo Potiguara, que preserva, com enorme dedicação e resistência, práticas culturais, espirituais, linguísticas e ambientais que fazem parte da história viva do Nordeste brasileiro.
A escolha pela Baía da Traição se justifica não apenas pela sua importância geográfica e histórica, mas sobretudo pela força simbólica que o território Potiguara representa. Trata-se de um povo que, ao longo dos séculos, enfrentou processos de colonização, apagamento cultural e invasões territoriais, mas que continua reafirmando sua identidade com firmeza e sabedoria. Nos últimos anos, notícias e estudos têm destacado desafios que atravessam essas comunidades como a pressão ambiental sobre áreas costeiras, os impactos das mudanças climáticas, as desigualdades estruturais, o racismo, a urgência da proteção territorial e a importância da educação indígena diferenciada.
Nesse contexto, realizar o Acampamento Inclusivo nesse território é reconhecer que a inclusão não se faz apenas com acesso à tecnologia, mas também com o fortalecimento das vozes que historicamente foram silenciadas. É aproximar-se das narrativas Potiguara, suas práticas de memória, suas formas de organização comunitária e sua relação com a terra, com os ancestrais e com o futuro. O evento busca honrar esse legado, ampliando o diálogo entre saberes tradicionais e tecnologias contemporâneas, promovendo um espaço de encontro entre povos indígenas, quilombolas, comunidades ciganas, moradores de áreas urbanas e rurais, estudantes, pesquisadores e representantes de instituições públicas.
O V Acampamento Inclusivo tem como propósito central consolidar a Baía da Traição como território de convivência intercultural, diálogo e formação cidadã. Ao longo dos três dias de atividades, será promovida uma programação que integra debates, oficinas, exposições, práticas comunitárias e experiências tecnológicas, com foco na construção de um ambiente que valoriza tanto o conhecimento ancestral quanto a inovação social.
Entre seus objetivos, o evento pretende fortalecer as discussões sobre sustentabilidade e preservação ambiental, especialmente relevantes para um território que convive com os efeitos diretos das mudanças climáticas, da erosão costeira e da necessidade urgente de proteger ecossistemas como o manguezal e a mata atlântica. A partir da realidade vivida pelos povos originários, o Acampamento incentivará reflexões sobre cuidado com o território, modos sustentáveis de viver, economia solidária, turismo responsável e práticas coletivas que garantam a sobrevivência ambiental e cultural das comunidades.
Outro eixo fundamental é o das questões étnico-raciais, considerando que os povos indígenas, quilombolas e ciganos seguem enfrentando desigualdades, racismo institucional e estigmas sociais. O Acampamento propõe-se a ser um espaço de fortalecimento dessas identidades, promovendo o debate sobre direitos coletivos, demarcação territorial, memória, políticas afirmativas e enfrentamento ao racismo e ao etnocídio cultural temas que fazem parte da agenda contemporânea e que exigem visibilidade, articulação e ações concretas.
No campo de gênero e diversidade, o evento reforçará a importância de ampliar o protagonismo das mulheres indígenas, negras e ciganas, reconhecendo seu papel central na preservação cultural, na educação comunitária, na economia familiar e na gestão social. Também será abordado o enfrentamento às violências de gênero, a necessidade de políticas públicas específicas e o respeito à diversidade sexual e de gênero dentro das comunidades tradicionais e urbanas.
A dimensão religiosa e espiritual também terá seu espaço, valorizando as expressões sagradas dos povos originários e reconhecendo a espiritualidade como elemento de cura, identidade e pertencimento. Em um cenário nacional marcado por episódios de intolerância religiosa, o evento se coloca como um encontro de respeito, diálogo inter-religioso e proteção às práticas tradicionais.
Como marca da ANID, o V Acampamento Inclusivo também reforçará seu compromisso com a tecnologia, a inclusão digital e a cidadania, debatendo o uso seguro da internet, a proteção de dados, os impactos da inteligência artificial, a desinformação e os desafios para garantir que crianças, adolescentes e adultos de diferentes territórios possam exercer seus direitos no ambiente digital. Oficinas, mesas e formações buscarão ampliar o letramento digital e apresentar ferramentas que contribuam para a autonomia das comunidades em um mundo cada vez mais conectado.
O evento também se dedicará à educação, cultura e memória, incentivando a produção de materiais didáticos indígenas, fortalecendo projetos como a formação Saberes Indígenas na Escola e promovendo atividades que valorizam a língua, a oralidade, as artes e a história Potiguara. A juventude terá papel central, com ações que estimulam o protagonismo jovem, o empreendedorismo social e a expressão criativa.
O V Acampamento Inclusivo, portanto, nasce como uma proposta que une ancestralidade e inovação, tradição e tecnologia, memória e futuro. Ao retornar à Baía da Traição, reafirma o compromisso com um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo aquele que respeita a terra, protege as histórias e fortalece as pessoas.
Mais do que um evento, o Acampamento é uma experiência transformadora que reconhece que inclusão se faz com escuta, convivência, conhecimento e respeito. A proposta para 2026 reafirma que, quando diferentes povos se encontram para aprender uns com os outros, construir juntos e celebrar suas identidades, todos ganham: ganha a comunidade, ganha o território, ganha a Paraíba e ganha o Brasil.